Eita trem bão, sô!

Oi pessoal, dando continuidade na nossa seção “Mistoquente”, vou falar sobre alguns pratos que são populares em Minas Gerais. Ah, vocês devem estar pensando por que estou falando de Minas, mas já lhes explico que quem vos fala é um mineiro! É isso aí, nasci na cidade de Belo Horizonte e morei até os doze anos lá.  O pessoal de lá tem umas receitas muito boas, típicas da região com um toque especial bem quente, ou seja, bem apimentado!

Então, hoje trago para vocês duas receitas de pratos tradicionais feitos normalmente no final de semana, quando a família se reúne. Pesquisei algumas curiosidades sobre a origem destes dois pratos para você entender o porquê dos seus nomes:

Vaca Atolada

Imagem por: Augusto Steffen – 6º ano

1ª versão segundo o blog Intercâmbio Culinário:

Na altura da chegada da Coroa Portuguesa ao Brasil, eram os tropeiros (condutores de tropas/comitivas) que carregavam as carnes (e outros bens) nas suas carroças. Quando eles iam da serra para a cidade de Minas Gerais, passavam por terrenos irregulares e íngremes. No período das chuvas os terrenos ficavam em lama e o gado que empurrava as carroças ficava encalhado e não prosseguia. Como transportavam carne de vaca e tinham que se alimentar quando encalhavam, fizeram um prato com mandioca e vaca ao qual chamaram de vaca atolada.

2ª versão segundo o site Podcomer:

É oportuno lembrar que a origem do prato ‘Vaca Atolada’ está em Minas Gerais: surgiu no tempo da escravatura e, segundo registros históricos, quando uma vaca encalhava em algum atoleiro, ela era sacrificada e transformada em comida, sendo cozida com mandioca durante horas. Daí o nome dessa delícia de culinária, que era a única oportunidade que os escravos tinham na época pra comer carne bovina.

Do blog Culinária Mineira:

E como diriam os poetas:

“E do prato inteiro, onde havia um ameno jogo de cores cuja nota mais viva era o verde molhado da couve – do prato inteiro, que fumegava suavemente, subia para nossa alma um encanto abençoado de coisas simples e boas. Era o encanto de Minas”. (Rubem Braga)

Indiferente  de sua origem o prato é uma delícia e abaixo segue a receita de preparo:

Ingredientes:

1kg  de costela de boi  cortada em  pedaços

2  cebolas médias picadas

4  dentes de alho amassados

2  colheres[sopa] de óleo

5  tomates sem sementes picados

1  colher[sopa] de vinagre

1 colher[sopa] de salsa picada

1 colher[sopa] de cebolinha verde picada

1kg de mandioca sem casca, cortada em pedaços sal e

Pimenta do reino à gosto.

Modo  de  preparo:

Tempere as costelas com a cebola,o  alho, o sal e a pimenta. Em uma  panela grande, aqueça o óleo em fogo alto , junte as costelas e frite por alguns minutos até dourar.  Acrescente os tomates, o vinagre, a salsa e a  cebolinha. Cubra com água  e mantenha em fogo moderado. Quando a carne estiver quase macia adicione a mandioca e  cozinhe regando com água acrescentando-a  aos  poucos, até que ela fique no ponto.

Feijão Tropeiro

Fonte: RadioOlindaAM

Origens do prato:

Por Cozinha Mineira:

Desde o período colonial, o transporte das mais diversas mercadorias era feito por tropas a cavalo ou em lombos de burros. Os homens que guiavam esses animais eram chamados de tropeiros. Até a metade do século XX, eles cortaram ainda boa parte do estado de São Paulo, conduzindo gado. O feijão misturado a farinha de mandioca, torresmo, lingüiça, ovos, alho, cebola e temperos, tornou-se um prato básico do cardápio desses homens. Daí a origem do nome feijão tropeiro, numa referência direta aos integrantes do movimento tropeirista paulista.
Pode até parecer estranho, mas existe uma relação bem estreita entre o Feijão Tropeiro e a Mineração no Brasil- Colônia.
Com a descoberta do ouro nas terras que hoje correspondem ao estado de Minas Gerais (XVII), a metrópole portuguesa incentivou a migração de exploradores para a região. Desta forma, Minas Gerais recebeu um número muito grande de pessoas “famintas” por metais preciosos.
Para não concorrer com a economia aurífera, Portugal proibiu qualquer tipo de prática econômica, inclusive de alimentos. Criou-se um problema: como abastecer as regiões das minas de alimentos sem incentivar uma economia paralela à mineração? É aí que entra o Feijão Tropeiro em nossa história!
Os alimentos que eram produzidos nas regiões que hoje correspondem ao sul do país, bem como na Província de São Paulo, passaram a ser transportados até Minas Gerais para abastecer a população mineira. O transporte destes alimentos era feito por tropeiros montados em mulas e burros.
As viagens eram longas e cansativas. Os tropeiros precisavam se alimentar de forma prática e rápida. E assim, surgiu o Feijão Tropeiro. Os tropeiros colocavam em caldeirões os alimentos, como o feijão, a carne seca, carne de porco, farinha e verduras, como a couve, que eram todos cozidos. Com o passar do tempo, o prato chegou até as minas, tornando-se um prato típico mineiro.
Fonte: Rancho Grande dos Tropeiros – Obra de Benadito Calixto
Confira a receita:
Ingredientes:

500g  de feijão  carioca

200g de linguiça

200g de lombinho  defumado

50g  de  bacon

1 cebola [ralada] pequena

cheiro verde

2 dentes de alho amassados

pimenta e sal à gosto

farinha de mandioca

Modo de preparo:

Frite o bacon, a linguiça, o lombinho, a cebola e o  alho.  Junte o feijão  sem o caldo e  refogue por algum  tempo. Coloque o restante dos  temperos  e a  quantidade de  farinha de mandioca  até  a  consistência desejada.

E bom apetite!!!

Anúncios

Moda Gaúcha

Hello gauchada! Semana passada comemorou-se aqui no Rio Grande do Sul a Semana Farroupilha e em função disso trouxe pra vocês à moda dos gaúchos! Quem mora aqui sabe que a vestimenta do gaúcho é bem tradicional:  camisa branca,  lenço vermelho, bombacha e bota  impecáveis,  já  a prenda usa seu lindo e longo vestido com saia de armação e o cabelo bem penteado:

Fonte: clicrbs.com.br

Fonte: riovalejornal.com.br

Hoje em dia temos prendas modernas, que frequentam os  CTG’s e  não  fogem  da tradição, pelo contrário, estão agregando seus estilos aos costumes típicos da região .

Fonte: wp.clicrbs.com.br

   Fonte: wp.clicrbs.com.br

   Fonte: diariocatarinense.clicrbs.com.br

Fonte: correiodopovo.com.br

Mas claro,  a prenda tradicional predomina nos CTG’s  com sua beleza  inigualável!

Fonte: noticias.uol.com.br

Fonte: wp.clicrbs.com.br

Adorei este novo estilo! E vc?

Bjs! Até a próxima!

Churrasco… a alegria do final de semana

Dando início ao nosso “MistoQuente” não poderíamos deixar de falar de um prato típico da culinária gaúcha, que é saboreado em diversas regiões do país… o “Churrasco”. Você sabe como ele surgiu?

Origem do Churrasco Gaúcho

Segundo indica os fatos históricos, foi no século XVII que surgiu a forma gaúcha de se fazer churrasco. Difundida por todo o país e  reconhecida e apreciada mundialmente, tornou-se sinônimo de festa e confraternização entre familiares e amigos.

A descoberta do churrasco é atribuída aos índios, habitantes da costa das três Américas, que assavam a carne ao ar livre, numa fogueira sobre pedras com o auxílio de uma grelha de madeira verde. Porém foi na região do grande pampa que o churrasco encontrou seu ambiente ideal.

A pecuária sempre foi uma das maiores riquezas do Uruguai, da Argentina e do Sul do Brasil, e a lida com o gado afastava os homens do campo por longos períodos de suas casas. O churrasco era uma forma mais prática de fazer uma refeição, pois tudo que era necessário para o preparo estava à mão: uma boa faca afiada, uma fogueira em um buracao cavado no chão, um espeto de vara que podia ser preparado com galhos, um generoso pedaço de carne e sal grosso.

Aliás, o sal grosso era e é utilizado na alimentação dos bovinos… E no tempero de um bom churrasco.

 

Fonte: arrotandopicanha.wordpress.com
                                                                                                                   
 

Para falar melhor deste assunto nada como alguém que entende e é considerado o melhor assador do Rio Grande do Sul, o senhor Manoel Roberto Castro, ganhador do prêmio Espeto de Ouro 2011.

Manoel Castro melhor assador do RS
Manoel Castro – Espeto de Ouro 2011

Confira a entrevista:

MISTUREBA –  QUANDO E COMO COMEÇOU A SUA TRAJETÓRIA DE ASSADOR DE CHURRASCO?

 CASTRO: Como o churrasco de final de semana  faz parte do costume da família, desde que casei há 31 anos atrás adotei esse hábito. Aprendi muito vendo meu sogro, que era um exímio assador, mas somente há pouco mais de 10 anos após assar para um grupo grande de amigos comecei a perceber que todos elogiavam meu churrasco e sempre que tinha um evento, eu era chamado para comandar  a churrasqueira.  Comecei a tomar gosto por isso, e os  amigos começaram a me indicar para assar em vários eventos de seus  amigos e familiares,  e de boca em boca,  a propaganda foi feita e  asso  hoje   churrasco para grupos pequenos e  até grandes eventos, onde já cheguei assar para mais de 1000 pessoas contando com a ajuda  de 2 auxiliares.

 MISTUREBA –  COMO VOCÊ ENCARA O ” ASSAR CHURRASCO” HOJE, COMO PROFISSÃO OU COMO LAZER?

 CASTRO:  Hoje em dia asso profissionalmente, embora não tenha perdido o hábito de assar para amigos e familiares nas horas de lazer. Adoro o que eu faço. Não importa se eu tenha que trabalhar em grandes  eventos e que eu fique horas diante da churrasqueira, pois se ao retornar para casa mesmo cansado e algum amigo chegar a minha casa, lá vou eu feliz  preparar um delicioso churrasco, pois não é sacrifício para mim  e sim  um prazer.

 MISTUREBA –  NÓS GAÚCHOS  TEMOS A TRADIÇÃO DE CHURRASCO DE FINAL DE SEMANA, MAS EM DETERMINADOS MOMENTOS COMO NA SEMANA FARROUPILHA  SE TORNA AINDA MAIS ESPECIAL…ONDE AMIGOS SE REÚNEM PARA ASSAR UM “COSTELÃO”. QUAL A DIFERENÇA ANTE ASSAR UM CHURRASCO E UM COSTELÃO?

 CASTRO: A diferença começa pelo tempo do evento, onde em churrasco normal que dura em média 2 horas para ficar pronto o costelão leva   8 horas no mínimo. Isso faz com que mais tempo as pessoas envolvidas interajam entre si. Outra diferença é o sabor e maciez da carne, que assa vagarosamente ao calor do fogo à lenha.

 MISTUREBA –  COMO VOCÊ FICOU SABENDO DO CONCURSO? ALGUÉM LHE INCENTIVOU A PARTICIPAR?

 CASTRO:  Tanto a informação sobre o concurso como o primeiro e grande incentivo partiu do meu filho Éderson, que escutou no rádio a propaganda informativa sobre esse evento e me ligou incentivando a participar. Depois de feita a inscrição e iniciada a primeira etapa de votação popular pela internet, recebi o apoio  de familiares e amigos, apoio esse que foi fundamental para o resultado final.

 MISTUREBA –  O QUE MUDOU DEPOIS DE SER ELEITO O MELHOR ASSADOR DO RS?

 CASTRO:  A principal mudança foi a procura pelos meus serviços. Hoje em dia sou muito procurado para vários tipos de eventos e cheguei  ter mais de 20 eventos em um só mês. Também fiquei mais exigente comigo mesmo, pois minha responsabilidade aumentou e fez com que eu ficasse mais criterioso, e segundo dizem estou assando melhor ainda.

Também meu circulo de amizade aumentou ainda mais, pois como gosto muito de assar , faço do meu local de trabalho um ambiente agradável e harmônico, e meus clientes deixam de ser clientes e se tornam meus amigos.

 MISTUREBA –  QUE DICAS VOCÊ DEIXA PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO OU DESEJA INICIAR SUA CAMINHADA DE ASSADOR DE CHURRASCO?

CASTRO:

* Em primeiro lugar para se fazer um bom churrasco precisa-se gostar, sentir prazer no que está fazendo, então a principal dica é organizar um ambiente de confraternização e alegria e, por isso, não pode ter pressa.

* Se interessar em conhecer os cortes de carnes pois  um churrasco bom de verdade também depende do tipo de carne usada! E respeitar o tempo de cada uma na churrasqueira.

* Não ter medo de arriscar, provar e fazer do seu erro o acerto no próximo churrasco é assim que aprendemos, mas sempre com alegria , dedicação e perseverança.

* Organização é fundamental, ser caprichoso e lembrar sempre que a higiene não pode faltar.

* Ter os apetrechos em ordem e sempre prontos para o uso, como facas, espetos, etc

* Procurar informações de como temperar cada tipo de carne, assim como efetuar  um bom fogo, sem labaredas e nem muita fumaça, acertando a quantidade de carvão  de acordo com a quantidade de carne.

* Por último lembrar que  mesmo sendo um evento de confraternização,  bebida de álcool e assador não combinam, deixe para beber depois que a carne estiver assada.

Depois disso, mãos á obra e bom churrasco!!!!

MISTUREBA –  QUE TIPOS DE EVENTOS E LOCAIS VOCÊ TEM PARTICIPADO DIVULGANDO O SEU TRABALHO?

CASTRO: Sou chamado para  os mais variados eventos, festas de aniversário, casamento, eventos políticos, militares, empresariais, familiares e  confraternização  em geral. E os locais também são variados,  churrasquinhos em escolas, clubes, hotéis, litoral, região metropolitana, empresas… enfim onde me chamam lá estou eu, mostrando meus dotes de assador.

Manoel Castro em evento no Risort Vila Ventura em Viamão

Para quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do senhor Manoel Castro pode visitar o seu blog e quem sabe, aproveita e agenda um delicioso churrasco com ele!